Estava lá. Ora viva! disse Rogério.
—Sei a que vens. Não posso pagar-te inda hoje. Sê benevolo uns dias mais. E volubilmente:—Então sabes? Os constituintes venderam-se. Estou aqui a rachal-os de meio a meio. A que chegámos! E mostrava os linguados escriptos—Lisboa vae vêr o bom.
—Eu cá, disse Rogério, vinha para outro negócio. Janta hoje commigo. Tenho lá baixo um trem.
—Demonio! pois sim. Ao Central?
—Em minha casa. Descobri uma cozinheira incomparavel. Pulcheria se chama. Então a mais acrisolada sciencia nos molhos! Tenho um Murillo no quarto, que outro dia, sentindo o olor d'um bacalhau confeccionado por ella, sahiu á casa de jantar acceso em fome.
—Raio de cozinheira!
—Vens d'ahi?
—Dois minutos para terminar a demolição d'um partido politico. E como se porta na lebre ensopada, essa tal Pulcheria?
—N'isso então! Imagina um d'estes acepipes tenros, alpestres, perfumados, extranhos... A pastoral de Beethoven com tubaras de recheio. Homem, no Algarve estava um defunto no esquife; vae ella, chega-lhe ás ventas carneiro com batatas—e o morto pega a bailar no meio da casa.
—A caminho, fez o outro espicaçado pela fome de quarenta cães sem dono.