E baixinho, só para eu ouvir:
—E sabe, trazia no fato um aroma que não era o dos seus sachets. Eram os beijos de Fatime. Escusa de olhar para mim, Armando. Não tenho ciumes nenhuns. Ainda ha poucas noites, na walsa do Roberto, eu atirei flôres á bailarina. Porque é uma artista. E que belleza!
E lenta:
—Não tenho ciumes, não. Pobre conde! faz o que póde. Todos fazem o mesmo. Fosse eu homem, t’o cantaria...
E feito um silencio curto, os olhos baixos:
—A minha vingança é outra!
E lentamente, deixando cahir as palavras:
—Pena—de—talião!—Apre!
Ouvia-se o tic-tic da pendula. Eu erguera-me agitado, a tremer, sem uma palavra, sem uma idéa, sem uma resolução. Estavamos quasi ás escuras, e mesmo assim, eu via o seu collarinho decotado e a scintillação caustica dos brincos. Accendi sobre o fogão, duas serpentinas de bronze.
A condessinha immovel, de pé na sua pallidez fascinante, o penteado desmanchado, tinha um sorriso vago; e vendo a impressão que as suas palavras violentas me causavam, disse: