—Seria cobarde!
E aproximando-me com voz curta, rapida e vibrante, como a d’um vingador colerico:
—É loucura ou crime? Hein?
Cahiu aniquilada no fauteil, terrivelmente pallida, os labios tremulos, dizendo imperceptivel:
—Oh Armando, Armando!... Fui amparal-a. Meu Deus! O peso do seu corpo enlouquecia-me; eu amava-a, eu queria-a! Atirei-me chorando a seus pés. Ah! que infame, que infame eu era!
O relogio deu meia noite. Áquella hora, o conde ceava com Fatime, n’um gabinete côr de rosa, do Restaurant Club. Bebiam talvez o seu champagne; o conde teria ditos de uma mordacidade equivoca; a judia gargalhadas sonoramente soltas. Resoaria um beijo... Nós ambos, a condessinha e eu, sentados no mesmo fauteil ceavamos alguma coisa excitante e bebiamos pelo mesmo copo, aos golinhos.
Beijos quentes, prolongados e devoradores, uniam os nossos labios impuros. De sobre o fogão, o retrato de Carlos olhava sorrindo o grupo. E um perfume mysterioso fluctuava.
Beatrice lembrou-se de repente:
—E o conde?