Cantavam gallos pela cidade, quando elle sahiu. Desenhados em negro, ora no clarão baço dos lampeões batidos pela ventania do inverno, ora alongados na penumbra das ruas e lembrando arganassas estropeadas, os varredores desciam de vassoura ao hombro, batendo gallegamente os tamancos. Primo Jorge ia contente, cerebro lucido, um bom charuto na bocca.
Ao entrar no quarto do Alliance, não se conteve que não dissesse:
—O que ella sabe, senhores, o que ella sabe!—Despia o carrik de pello fulvo.—Esplendida! E que artista...
Viu sobre a mesa uma carta. Era da mãi de Albertina dizendo ao sobrinho que estava viuva, e supplicando-lhe instasse com a filha, para ella abandonar a vida má que emprehendera. Encontral-a-hia de braços abertos, cheia de perdão no seu luto, e prompta a adoral-a como outr’ora. O primo Jorge riu-se. Estava um pouco bebedo, e passára sempre por isto que se chama—um bom rapaz.
—Está tola, a velhota, disse elle.
E queimando a carta:
—Afinal se não fôr eu, é outro. Ao menos fica tudo em familia.
E d’alli por diante acompanhou a prima todas as noites ao theatro, e ficou com ella por amante.
Acrescentando, com ares devassos: