Subi ao côro. Na fita de papel, sempre em movimento e desenrolando-se com imperturbavel presteza, no cylindro de aço annexo ao apparelho, o punção do receptor tinha escripto, horas antes, este telegramma:
«Paris 9, ás 10 horas da manhã.—Terminou o prazo de 24 horas concedido aos jesuitas de Paris, para sahirem das casas que occupavam e fecharem os cursos publicos que regiam. Hoje ás 11 horas, a policia fará despejar todos os estabelecimentos da Companhia de Jesus. Receiam-se disturbios. O prazo de 15 dias foi cedido aos estabelecimentos da mesma Ordem, em actividade em toda a França.»
—A padralhada vai ficar fula! gritou F. O que dirá padre Kurpi, respeitavel e escanhoado director espiritual de minha tia baroneza? Eh! que vai tudo razo!
—Uma hora. Isto enfastia. Vamos ás ostras.
—Não vejo inconveniente, disse o conde com um jogo de hombros. Vamos lá.
—Se passar algum telegramma, o punção deixa na fita escripto o que houver.
Descemos aos rochedos e das rochas á arêa. A maré enchia, e uma agua crystallina e tepida, do sol no zenith, acariciava lubricamente as barbaças das caryatides d’alga que á bocca da gruta faziam carantonhas.
—Já fizeste a digestão? inquiriu F.
—Já e tu? E o banho está tão patife!...
—N’esse caso atiremo’-nos á agua.