Carolina ergueu-se para seguil-a. Mas o João agarrou-a pela cinta e com voz alterada, quasi guttural, dizia-lhe attrahindo-a a si, corpo a corpo:

—Olha lá, espera, olha lá.

Erguera um pouco o busto, e com inabalavel teimosia puxava as saias da rapariga.

—Esteja quieto, podem vêr. Mau!

Elle porém não a escutava.

—Não te vaes d’aqui, não te has-de ir d’aqui, murmurava-lhe ao ouvido. Todo o seu esforço era para apanhar-lhe a cara; tinha a respiração sifflante, e um tumulto de sangue turgecera-lhe as cordovêas do pescoço.

—E o beijo que me deves, o beijo que me deves? Dá-m’o!

Tinha-a agarrado pelas costas, mettendo-lhe as mãos por debaixo dos braços, e com uma força cruel conservava-a apertada sobre o peito, em quanto lhe premia os seios crespos e redondos, de mulher inviolada. Carolina tentava em balde arrancar-se ao amplexo. Conservava os olhos cerrados, um bater de narinas, a bocca escarlate como a ferida de um fructo torrido, palpitações. E dizia:

—Mau! Olhe que eu chamo, olhe que grito!

E n’um tom choroso: