—Ahi vens com tolices, tornou elle.

Carolina invadia-se de um terror desconhecido, toda entregue a uma desconsolação.

Uma tarde a Marcellina appareceu:

—Adeus, filha, adeus.—E notando a commoda, as cadeiras:—Viva! Isto é que é! isto é que é!... Viu-se tafularia maior?—E mirando Carolina:

—Que senhoraça, que senhoraça! Toda no chefe. Sua espiguilha no casibeque, sua cruz ao pescoço... Ai! quem tem homem não sabe o que tem. Vejam como tudo está mudado.—E baixo:—Quanto custou cada metro?—Apalpava a fazenda do vestido, esfregando-a, estudando a espessura. E expluiu logo em narrativas, que a mulata tornára para o hospital, e morrera! Minhas ricas quatro moedas, que fiquei a vêr navios. E azorragando os caloteiros abria a caixa de tartaruga, tomava rapé com os dedos em leque, sorvendo com grande delicia, o olhar piedoso.

—Como te vaes dando com elle? inquiriu, passado tempo.

—Bem; então como? É muito bom rapaz, lá isso sempre o direi.

—Bom genio, hein?

—Bom genio...—E vencendo uma repugnancia, affectando grande franqueza para com a velhona:—Olhe, todos nós temos as nossas cousas, percebe?

—Está visto, está visto. Que bom, só Deus.—Fizeram um silencio beato. A Marcellina desconfiava já que tinha havido mócada. Interrogou cheia de curiosidade: