—Mas houve alguma cousa?
—Não. O que havia de haver? Hoje em dia, uma mulher precisa saber de tudo. Eu confesso a verdade: de engommados não sei. Quem é pobre não usa certas cousas.
—N’isso fui eu sempre, com’a primeira. Não é por me gabar. Que engommo encanudados ainda hoje, como poucas—e explicita:—e que é uma das cousas mais custosas de fazer bem, o engommado!... só o polimento!...
—É verdade, é verdade, dizia Carolina.
—Mas o que? Elle disse alguma piada por isso?
—Estranhou. Elle nunca se zanga.—Armava no rosto uma soberania indomavel.—Zangar-se? Oh!... tenho-o aqui fechado—e estendia o punho—mas...
—Ora dize a verdade: tu queres contar-me alguma. Co’os diabos! Bem sabes como eu sou. Falla á vontade. Se eu te puder valer... p’r’ás amigas estou ás ordes.
—Olhe, é verdade. O João nos primeiros dias, eram excessos que nem eu sei. Andavamos sempre aos abraços, ás festinhas, nunca nos separavamos. Mas ha uns dias que o vejo apoquentado, mettido comsigo; come e vai-se com Deus; hoje não gostou do jantar; passa as noites fóra, recolhe-se altas horas; a minha desgraça!—A velha pasmava.
—Pois olha, fartou-se cedo, o melro! Então será de má bocca? Mas não desconfias de nada? Não lhe déste tu motivo?
—Que eu saiba, não. Talvez se aborreça por eu não saber bem governar a casa. Sempre disse: nunca Deus me dará fortuna em cousa nenhuma!—A Marcellina reflectia. E d’alli a pouco: