O de olho desconfiado não dava palavra, deixando que respondessem por elle.

—E moça de estimação. Desenxovalhada e mais branca!... Seio de encher olho e golpelha, c’os diabos!

—Pódes lá com uma vacca d’aquellas, meu poeta!—diziam-lhe. Aquillo é mulher p’ra te bater, ó Rato!

O de olho desconfiado ria, e disse pachorrentamente:

—Quatro mil cruzados em terras, está dourada que nem uma princeza, rica saude e vinte e quatro annos. Um sobr’olho preto; que mais quero?

O louro conhecia-a e o seu riso abria-se sensualisado, com uma reminiscencia gulosa.

—Está bem de vêr! Está bem de vêr!

A calma picava. Sentia-se zumbirem os insectos, e ao longe nas oliveiras o ciciar das cigarras punha um ruido secco. Do outro lado discutia-se a Joanna, ainda frescalhona; apesar dos dois filhos aquillo vinha a casar ainda.

—Não seria eu que casasse com ella. Entrando só com o corpo e ter de aturar dois diabos! Olha a fortuna!

—Cá p’ra mim, dizia um barbado, mulher que casa duas vezes é capaz de pregal-os ao marido.