—Olhem esse maroto que está a dizer mal de mim!
—Quem foi?!
—Que é d'elle?!
—Calumniador!
—Invejoso!
—Vibora damnada!
E a multidão invade a casa do auctor, péga n'elle e passeia-o em triumpho pela cidade, com meia cara rapada, e a outra meia com barba de tres centimetros coberta de espuma de sabão. Este pormenor commove o resto{320} da população de Lisboa, que segue immediatamente o triumphador.
Ouve-se grande algazarra nas livrarias e vendem-se dez mil exemplares da obra em dez minutos. Vendo este successo, o tal sujeito, que fallára em macanjo, chega-se ao pé do auctor e diz-lhe, fulo de raiva:
—Eu chamo-me a critica... e vou fazer-te o resto da barba.
—Pois faze, mas compra o livro.