Emquanto, na rua de Santo Antonio e na praça Nova se desenrolavam os acontecimentos que acabamos de narrar, as guardas de revoltados que haviam ficado nos quarteis impediam que ali entrassem os respectivos officiaes não adherentes ao movimento e que o mesmo movimento surprehendera ainda no leito ao romper da manhã de 31 de[{119}] janeiro. No quartel de caçadores 9, por exemplo, ficara uma força sob o commando do sargento Galho, que mandara armar todas as praças que ali estavam, collocando-as ás suas ordens. Instantes depois do regimento ter sahido para a revolta, essa força avistando na rua de S. Bento um troço da guarda municipal, fel-a dispersar com uma descarga. E desde manhã até ao começo da tarde, todos os officiaes que tentaram penetrar no edificio foram respeitosamente prevenidos pelo sargento Galho de que desfecharia sobre elles a sua espingarda.
Bombardeamento da Camara Municipal pelas tropas fieis ao Governo
Só ás tres horas é que esse valente militar se rendeu, abandonando o quartel ao dominio dos vencedores. O capitão Almeida Soares que havia[{120}] tomado conta da guarda á cadeia da Relação, appareceu á porta principal d'aquelle edificio e intimou o sargento a entregar-se-lhe.
—Não, respondeu o revoltado.
—Mas isso é uma loucura, insistiu o capitão. A insurreição já está suffocada.
—V. ex.ª dá-me a sua palavra de honra?
—Dou.
Então o sargento Galho disparou a espingarda para o ar e franqueou as portas do quartel ao capitão Almeida Soares.