O automovel andou mais uns metros e estacou em frente do quartel dos marinheiros, do lado em que o edificio olha para o Tejo. As janellas do quartel estavam illuminadas. Um grupo de populares avançou ao encontro de João Chagas.
—Que ha?—perguntou-lhes o grande publicista.
—Nada... Absolutamente nada.
E um dos revolucionarios, apontando para o quartel, accrescentou:
—Ali parece ter havido qualquer coisa, mas agora está tudo em socego.
João Chagas
O automovel poz-se de novo em andamento e foi direito ao largo do Calvario. O regimento de infantaria 1 avançava sobre Alcantara dividido em duas porções. «Os soldados,—disse-nos João Chagas recordando os episodios d'essa madrugada de perfeita desillusão—davam mostras d'um cançaço extremo. Vinham derreados, sem ordem na marcha, moviam-se somnolentamente como se a noticia da revolta lhes tolhesse a vontade. Tinham o aspecto d'um corpo já derrotado, desfeito, por longos minutos de ataque renhido».
Do largo do Calvario, o automovel foi á Praça d'Armas. «Suppunha—é ainda João Chagas que o diz—ir encontrar n'essa altura a reproducção d'uma d'essas revoluções francezas em que um bairro inteiro, iniciando o movimento, dava abrigo aos elementos insurreccionados. Calculava que n'esse reducto nos defenderiamos então até a ultima, depois de bem barricados contra os ataques do inimigo monarchico. Mas não... Alcantara, o bairro que eu sonhara para esse papel historico, parecia dormir serenamente, confiadamente, como se não suspeitasse da imminencia d'uma grave agitação».
Na Praça d'Armas, estacionava outro grupo de populares. João Chagas formulou a eterna pergunta: