Que diabo estou eu a escrever? Ridendo... Eis o meu programma.
Ao largo, pois, logares communs de estafada Historia!
Pensamentos tristes, arredae! Acoitae-vos e multiplicae-vos no cerebro do Padre Capellão para, nos sermões de sexta-feira santa, com que, tão auspiciosamente, inaugurou a sua eloquencia n’esta terra, nos descrever mais uma vez, com a voz embargada pelo sentimento, o martyrio da MÃE, as afflicções da MÃE a dôr da dita MÃE.
Continuemos, pois, a rir, senhores, um riso bom, sonóro, vibrante e desafogado, que o riso é das poucas coisas que ainda escapam á rede tributaria, e representa, n’este arido deserto da vida, a frescura vivificante e consoladora do oasis.
Ha annos, ia eu dizendo, em vesperas de eleição, teve um vizionario estranho a ingenuidade de tentar combater o sr. Administrador do Concelho, arrepiando-lhe a submissão dos eleitores, em determinadas freguezias.
O caso engatinhou ás culminancias do desafôro; alcandorou-se nos topes do escandalo!
Apimentaram-se os animos; esturraram-se os genios; apopleticaram-se os mais sisudos e conspicuos habitantes da rua de S. João—esses santos varões, que são na nossa terra os genuinos representantes dos ricos-homens e infanções dos tempos medievaes, sobrios de costumes, austeros no porte, d’um puritanismo feroz; tementes a Deus, ao diabo, ao abbade e ao sr. Joaquim Apollinario.
Reuniram-se, em conclave mysterioso, os mais valentes e poderosos homens d’armas do partido governamental—o unico, n’estes reinos, legalmente constituido.
Mensageiros esbaforidos chegavam, tressuando, de toda a parte com informações sobre os manejos do inimigo e, praça aberta á discussão, depois de grave ponderação e demorada concentração dos espiritos, sahiu d’aquellas venerandas cabeças o plano de combate que, para efficaz execução, para infallivel resultado, urgia communicar immediatamente, sem demoras, nem hesitações, a um rico-homem de Coura.