Jurava-se aos deuses, pela nossa consciencia, assim dardos de Jupiter nos partissem, se durante a nossa existencia, embora ella attingisse a longevidade de um Mathusalem, que viveu, segundo diz a Biblia, 900 annos (o que eu acredito) outro homem se sentasse nas cadeiras de S. Bento com o nosso mandato, porque Valença tinha contrahido com elle uma divida sagrada, immorredoira, imperecivel, immensa, de profunda, eterna e vivissima gratidão.
E se alguem, mais pratico em coisas do mundo se atrevesse a revelar pouca confiança na estabilidade d’aquelles fervorosos protestos, recordando que já lá vae o tempo dos Eros, dos Scevolas, dos Martins de Freitas, dos Egas, etc.,—oh Christos de Villar!—corria grave risco de ser lançado aos fossos, empalado no pau da bandeira, ou esquartejado pelo primeiro magarefe, que por ahi apparecesse, em ociosa disponibilidade.
Pois, meus senhores, ahi vae a Moral do conto mais um tento para a marca preta e um documento para a nossa historia politica. Poucos mezes depois, mettia o sr. dr. Lopes o seu nariz na Administração do Concelho e aquelle grande vulto (não o do nariz) absorvia, completamente, todos os enthusiasmos que descrevi!
A urna entrou mais uma vez no templo, para servir de leito nas sensuaes orgias do voto com a immoralidade e o sr. Elyseu de Serpa, o mesmo, em carne e osso, a que me referi—obtinha em todas as assembleas eleitoraes do nosso concelho:—cinco votos!
Ora, um povo que denuncia tão vehemente firmeza de convicções e de sentimentos, está—digam lá o que disserem—reservado para grandes destinos.
Abençoado torrão este, da Patria minha!
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Com os argumentos irrefutaveis, que os factos nos fornecem, estudamos até aqui a politica de Valença nas suas espheras mais elevadas, isto é, na villa e entre as camadas illustradas; e, indubitavelmente, não existe no nosso espirito outro sentimento, que não seja o baseado em tristissimo desalento...
Vejamos agora, em breves palavras, antes das considerações geraes, o que o povo imagina e sabe de toda esta engrenagem que lhe rouba os filhos, dinheiro e... os votos.
Ha annos, Ramos Paz, que aqui dignamente exerceu as funcções de Sub-Inspector de Instrucção, presidia a uma conferencia pedagogica nos Paços do Concelho. Extranhando as theorias apresentadas por um professor, sob a intervenção da auctoridade administrativa na legislação municipal, relativa ao professorado, perguntou alizando aquellas grandes barbas á D. João de Castro: