«O unico poder que entre nós existe é o Rei!»
Nós poderemos plagiar Luiz XI, Rodrigues Sampaio e o pedagogo, asseverando:
N’este concelho de Valença ha só uma força, uma vontade, um poder:—o Senhor Administrador[33]—quer o represente a taciturnidade esphingica do sr. Dr. Lopes, ou a gulliverica estatura do sr. Dr. Ladislau, ou a inoffensiva bandido-mania do sr. Dr. Malheiro, ou a feroz iconoclastia do sr. Dr. Cabral, ou... a paz d’alma e de corpo do sr. Dr. Brandão-Malheiro-Lopes da Cunha-Cabral!
Abençoado torrão este, da Patria minha!
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Historiamos até aqui. Philosophemos agora, porque a Historia sem a Philosophia pouco vale e não póde servir, como disse Michelet, para guia do futuro.
É evidente que não temos organização pulmonar, que desafogadamente possa funccionar na atmosphera das nossas liberdades civis.
É evidente que, seja qual fôr o proceder da auctoridade administrativa, só ella póde, quer e manda; e que, no campo a que hoje Vossas Excellencias são chamados—as eleições—, ella exerce para qualquer opposição o mesmo terrifico effeito que, em dilatado feijoal, produz para os pardaes e pardocas, o espantalho armado com dous rabos de vassoira em cruz, cartola velha no vertice e casacão enfiado nos braços, com as mangas pendentes e á mercê do vento.
E, evidenciado isto, para que precisamos nós de deputados, seja qual fôr a chancella que tragam? Que temos nós com o que vae por esse paiz, com o nariz do sr. Beirão, com a marreca do sr. Hintze, com a somnolencia do sr. Henrique de Macedo, ou com os chouriços do sr. José Luciano?