Que necessidade temos nós de fazer perder a gravidade aos Ministros, pondo-os aos saltinhos de contentes, quando o sr. Zagallo, com os seus Mentores e correligionarios lhes officiam, annunciando que... deliberaram apoiar a marcha do Governo—ou que diabo lucramos com a mudança de ceroilas, a que os obrigamos, enviando uma representação dos tres mil negociantes da terra[34] contra a Companhia vinicola, communicando, pelo telegrapho, que estão fechadas as quitandas de Valença e que vate Aurelio Victor Hugo fala ás massas, em imponente e assaz concorrida reunião politica?

Senhores! Por Deus, simplifiquemos tudo isto; todas estas inuteis formalidades, que são proprias para terras civilizadas. Fazem perder tempo, e tempo é dinheiro, como diz o bretão.

Qual é, em ultima analyse, o regimen em que vivemos? O feudal.

Adaptemo-nos, pois, ao que elle nos estabelece e concede. Ahi vae um alvitre:

Sabem Vossas Excellencias o que eram as antigas behetrias da epocha medieva: povoações que tinham o direito de escolher o senhor, que viviam independentes e de portas cerradas, até, aos senhores estranhos. Aqui estava um modelo, mas lá vae outro, talvez preferivel.

Na vertente meridional dos Pyrineus ha uma amostra de estados autonomos—a republica de Andorra.

Tem approximadamente, sem escandalosa differença, a população d’este Concelho. Tem legislação civil, militar e religiosa. Tem Governo civil e militar; Alfandega, Repartições de Fazenda; Camara; Junta de Parochia; o seu Cordão sanitario de quando em quando; lazareto com respectivas rações; reforma de matrizes; irmandades e confrarias; isto é, nicho para todos os pretendentes.

Ora aqui está o que nos serve. É uma organização baratinha e fica em casa.

Proclamemos hoje mesmo a nossa independencia! Behetriemo-nos! Andorriemo-nos! Entregue-se o poder a um só homem, que se denomine Rei, Imperador, Presidente, Syndico, Regulo, Papa, Bispo, Soba ou Cabinda!

Precisamos, verdade é, d’uma auctoridade, para regular as nossas questões e moderar as nossas exigencias.