N’isto, passa na estrada um almocreve com a sua enfiada de machos e, vendo o gallego n’aquelle misero estado, convida-o carinhosamente a escarranchar-se n’um dos animaes.
—E quanto xe me dá?
—pergunta o bruto.
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Vossas Senhorias, n’esta estrada do Progresso, são (salvo o devido respeito) uns verdadeiros Alonsos.
Como portuguezes, que põem luminarias á janella no 1.º de dezembro e no anniversario da Carta, devem amar a sua patria; como funccionarios publicos devem interessar-se no engrandecimento d’ella; como homens do seculo XIX, que usufruem todas as vantagens e liberdades que tanto sangue custaram, n’essa sangrenta lucta do despotismo e das trevas contra a luz, devem contribuir para que aos seus filhos seja entregue intacto, pelo menos, o inestimavel patrimonio da Civilização, que herdaram dos seus Papás.
Ora, uns homens que por esse mundo de Christo, consagram toda a sua existencia no estudo dos meios, que podem elevar e engrandecer os povos, reconheceram a enorme utilidade das collecções artisticas, das bibliothecas, dos museus, de todas as instituições, onde se enthesoiram os productos do espirito humano na sua marcha evolutiva atravez dos seculos.
Esses homens dizem a Vossas Senhorias:
Pretendemos reconstruir a historia da Arte portugueza, reunindo e dispondo convenientemente, chronologicamente e por distincção de escholas, n’uma boa sala com ar e com luz, essas telas, que Vossas Senhorias por ahi inconscientemente dependuram em paredes humidas, e imbecilmente inutilizam, mandando, de quando em quando, envernizar, a brocha, pelos Terrinhas.