Em terra menos civilizada, já o senado teria estudado o meio de, por uma operação financeira possivel de realizar, sem graves encargos, transformar esses focos de immundicie em habitações economicas, mas hygienicas.

Mas, então, V. Ex.ª não viu na Exposição de Paris, entre tantas maravilhas da Arte, as primitivas construcções dos differentes povos? Pois cá, em Valença, não precisamos de arranjar artificialmente essa exposição. Alli estão os cortelhos da Parada velha, immundos, doentios, nojentos,—como nota caracteristica do nosso Progresso moral e material.

—A gente das cidades tem a mania da Civilização. Abre mercados, rasga ruas espaçosas, aformoseia praças, alinha os edificios e varre as ruas.

Com o pretexto da hygiene e da limpeza faz dinheiro até do esterco.

Miserias humanas!—dizem os nossos camaristas. Nas ruas de Valença, o que cai, deixa-se ficar. Podem-nos chamar immundos, mas ao menos, não somos dos futres que vendem carros de lixo.

Cá, a gente é assim...

—O concelho precisa de estradas que unam as freguezias e facilitem as communicações. A estrada de A para B foi considerada, como a mais urgente, pela importancia (politica, já se vê) de B.

Principiou-se a estrada: terraplenagens, aterros, desaterros, etc.

A folhas tantas, desabou a caranguejola ministerial e o que era politicamente positivo em B passou para negativo. Suspendeu-se a construcção da estrada.

Chegou o inverno: lamas, enxurradas, desmoronamentos. O que estava feito inutilizou-se, mas não importa: a ordem é rica, os frades são poucos e os imbecis são muitos. Ha mais em que pensar: a Questão da Musica.