Ha annos, morreu n’esta villa um velhote com 90 janeiros.
Estomago fraqueiro e arruinado, atacára á noite uma pratada de arroz com lampreia e... arrefeceram-lhe os pés.
Tambem, foi uma infelicidade, porque, se o sr. dr. Pacheco (diga-se a verdade) chega mais cedo uma hora, o homem, em vez de morrer ás 10, arrefeceria ás 9.
No dia seguinte, dizia o Noticioso:
«Mais um anjo, alando-se para as ethereas regiões, fugiu hontem da terra, roubado cruelmente, pela terrivel Parca, aos affectos dos seus carinhosos paes.
Polycarpo Bezerra, aquella encantadora e gentil creança, que era o enlevo... etc.»
Ora, Policarpo Bezerra, era exactamente a creança de 90 janeiros, que a lampreia victimára! Os barbaros dos typographos, se haviam de aproveitar a chapa dos adultos, serviram-se da que havia para as creanças.
Isto succede.
*
Mas, como estava dizendo, eu turrava com somno, á espera do chá.