«Con securidad, Don Carlos és muy bueno hombre; una gran cabeza; el unico rey que debia gobernar la Espana; es un hombre de religion, y que tal... y que sei yo...»

Subito, ouve-se um estampido medonho. A casa abala-se nos seus alicerces; as paredes oscillam; as traves gemem; as loiças tocam nos aparadores e saltam em furiosa dança macabra. Ouve-se um crac medonho, fende-se o tecto e apparece em cima da mesa del comedor... quem?—o Senhor Abel Seixas, em pello e em cabello, tal qual estava na cama, sem chinó, pança sumida e olhinhos espavoridos!

V. Ex.ª ri-se? Pois o caso não é para isso. Se chegam uma isca de fogo ao paiol, a qualquer de nós póde succeder o mesmo.

E diga-me V. Ex.ª quanto teria o nosso Governo de pagar a Don Benito pela perturbação do seu socego e—o que é muito peor—pela alimentação d’esse insondavel abysmo—a barriga do snr. Seixas—emquanto este cavalheiro, arrancado bruscamente do seu leito e atirado por esses ares em escandalosa nudez, se recusasse, pudicamente, a ostentar pelas calles de Tuy, no regresso á Patria, as linhas bambaleantes das suas formas esculpturaes.

Matutae sobre o caso, homens da Governança!


XVI
A Manifestação de 14 de Janeiro[40]
(PROTESTO)

Para cá dos limites que tracei á critica dos acontecimentos, por qualquer aspecto evidentes e impressionaveis na chronica politica d’esta terra, disponho hoje, serenamente, os apontamentos colligidos sobre a manifestação de 14 do corrente, para os sujeitar á analyse recta e imparcial, isenta de considerações pessoaes ou collectivas, sem tergiversações de ameaças ou de lisonjas, a que subordinei o programma dos Sinapismos.

Á frente d’essa manifestação eu vi homens a quem dedico verdadeira amizade; que respeito nos actos da sua vida particular; que me honram com as suas relações, porque se impõem á consideração de Valença pelo seu caracter digno e pela sua honradez inconcussa.