Esses cabellos brancos nunca se devem prender ao Passado para trazerem á terra em que vives e onde tens os teus affectos de familia, o bacamarte assassino e o facho incendiario, em que se podem transformar esses archotes do teu sequito de paradas-velhas. Devem prender-se ao Passado, mas para de lá arrancarem com o vigor da experiencia: o conselho, o ensinamento, a reflexão, que podem suffocar o ardor das paixões e prevenir os excessos da allucinação.

Tens umas convicções partidarias; acceitas um credo politico. Respeito essas convicções e a doutrina d’esse credo, porque ao teu partido deve a Patria valiosos serviços na honrosissima cruzada do seu engrandecimento, d’onde emanam a paz e as liberdades que hoje fruimos.

Sustenta as tuas idéas politicas, mas descreve, sempre, aos homens de todos os partidos o que foram as luctas e as agitações de 30 a 51.

Tu és honesto, crente, sincero e bom. Não manches a respeitabilidade das tuas cans n’essas abandalhadas orgias, onde vês como principaes heroes, exigindo musica e borga, ministros d’uma religião de paz, de tolerancia e amor, afeitos ás esturdias sertanejas e acerdaladas d’uma politica de barriga, de arroz de forno, e de chouriço com ovos.

Talvez que n’essas horas de esturdia algum pobre velho agonizasse, pedindo, em vão, o amparo de Christo...

Como patriota, modera esses enthusiasmos, que tão violentamente agitam a tua alma.

Crês, acaso, na intensidade d’esta explosão de colera que Lord Salisbury provocou?

Verás como, dentro de dois mezes, não resta uma faula de todo este incendio. Temos á porta novas eleições; o vinho das borgas se encarregará de apagar as labaredas.

Crês na efficacia dos meios, até hoje apresentados para a nossa defeza e para a nossa desaffronta?

Será mais um triste couraçado para, em frente de Belem, chorar as nossas passadas grandezas.