(Agradeci tão graduada prova de consideração official. Estes, não são como os da missa do Rei. Compareci, vestindo pela trigesima sexta vez a minha casaca n.º 3. Chapeo alto n.º 7, do Roxo—Lisboa—(3$570 com correio). Sapatos de polimento n.º 4 (5.ª prateleira, 2.ª estante, á direita). Gravata do Blanco (12 reales e uma perra chica; setim creme, com pintas de prata). Luvas n.º 207, do Baron.

Offereceram-me um logar graduado, ao lado do sr. Joaquim.)

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Eu tambem tenho a mania de colleccionador. É uma coisa que não fica mal; é da Moda e até dá um certo tom distincto.

Collecciono alfarrabios, cartas de arrhas, cartapacios, papyros, foraes—toda essa papelada, que por ahi apparece furada pela traça, encarquilhada pelo tempo e com a côr que teriam os rostos d’aquelles esforçados campeões da Guia, quando batiam em retirada, acossados pelo gentio gallego.

Esta mania fez com que, ha mezes, descobrisse uma verdadeira preciosidade, no bazar de antiguidades do sr. Maia.

Imaginem V. Ex.ᵃˢ o meu contentamento quando alli encontrei, entre taboadas e cartilhas, rolhas e torneiras, piões de faniqueira grande e ditos para nicas—um volume authentico, genuino, verdadeiro, do grande e immortal Plutarcho!

Tremi de commoção e de respeito com tão veneranda reliquia!

Li-o, reli-o e quasi treslia com elle.

Referia-se ao seculo do glorioso Pericles, áquelle aureo periodo da civilização de Athenas e, entre as suas paginas, fui encontrar—gratissima surpresa!—os elementos que, com verdadeiro afan, ha muito tempo procurava, para estabelecer as bases da historia d’essa mysteriosa agremiação a que Pericles presidia, e que tão poderosamente influiu no engrandecimento do povo hellenico:—a Sociedade dos Provareis.