Vinte minutos depois, respiramos por esses campos o ether das madrugadas. A nossa alma inebria-se; sentimo-nos alegres, bons, fortes e felizes, porque somos livres. Desejavamos possuir umas botas de sete leguas, como as d’aquelles contos da infancia; trepar a todos os oiteiros, subir a todas as collinas, saltar por todas as planicies.

Phantasiamos azas como as da cotovia que se libra nos ares, cantando hymnos de jubilo, de liberdade, de amor.

Horas depois regressamos a casa. Á entrada, a sopeira entrega-nos mysteriosamente uma caixinha dos collarinhos, ou dos pós da gomma, cuidadosamente atada com fita de seda azul.

Abrimos:

Dentro, muito secio e garrido, um palmito; ao lado, teso e perfilado, um cartão de visita:

Fulana de tal.

Desde aquelle momento, o bacillo virgula do matrimonio inficiona o nosso organismo. Perdemos a vontade de comer, damos ais, suspiramos á lua, fazemos versos, cantamos o choradinho e principiamos a cuidar nas roupas brancas.

Se não mudamos immediatamente de terra, unico remedio efficaz, estamos perdidos.

Que me conste, até hoje, dos atacados pela fatal molestia só resiste um—o Velloso. Se escapa até aos quarenta, vae para o museu do Inglez.