Perde-se em a noite dos tempos a origem d’essa funesta cerimonia:—a eleição dos compadres.
Sei que dubia é, ainda, a tradição que a localiza na Coroada; porquanto, auctores varios e jurisconsultos sisudos estabelecem no centro da villa a instituição de tão perfidas solemnidades.
As pandectas da Assembléa, os folios da Collegiada, os annaes da Ex.ᵐᵃ Camara nada informam a tal respeito. Em vão os consulto em frequentes e longas vigilias.
Esta prioridade de direitos na organização do escrutinio annual tem por vezes suscitado controversias violentas e disputas acaloradas entre os pacificos habitantes da rua de S. João e os da Coroada; e se não fôra a sisudez, prudencia, diplomacia e tino politico dos conspicuos inquilinos do Santo Precursor, certamente já teriamos a lamentar successos graves e não pouco deploraveis acontecimentos.
No emtanto, a malquerença entre os dois povos existe e existe evidente.
Na rua de S. João, um habitante da Coroada nunca foi um cidadão da villa:—foi, e é um pelludo da aldéa; e a esta offensa responde a Coroada affirmando a superioridade dos seus costumes e dos seus habitos, allegando, com assaz persuasiva logica, que não tem lá, nem precisa, de Borralhos ou de Egyptos.
A origem de tão lastimaveis dissensões está na eleição das comadres.