A epocha d’esta cerimonia não foi, como alguem poderá imaginar, fixada ao acaso. Fixou-se traiçoeiramente para o domingo de Ramos.
Domingo de Ramos quer dizer: Semana santa e Paschoa—isto é—soirées na egreja e na Assembléa e—mais ainda—chavenas de chá sem assucar preparadas pelo Cruz com agua do Christello.
Aos olhos incautos isto nada significa, mas significa muito para o espirito do observador, porque lhe mostra em caminho perfeitamente livre e desembaraçado, juncado de rosas e saturado de aromas,—a comadre e o compadre amarrados um ao outro com as fitas de seda do palmito e da caixa das amendoas. Vão alegres, risonhos, chilreando, sorrindo, despenhar-se no abysmo sombrio do matrimonio, onde o Magalhães, com uma saia de mulher aos hombros, attencioso e mitrado, lhes desfecha quatro tretas de latim.
O palmito aproxima o compadre da comadre: agradeço a V. Ex.ª—dou-lhe os meus sentimentos, porque foi infeliz na sorte—merecia compadre melhor, e tal, etc.,—diz elle.
—Oh sr. Fulano! Por quem é!... fui até a mais feliz.—Cá espero as amendoas.—Olhe que é uma vergonha se as não dá.—Quero vêr, eu quero vêr como se porta—diz ella.
Ao despedir, um cumprimento demorado, um sorriso, um olhar... e compadre e comadre trocam mentalmente, na visão doirada do futuro, o grau do parentesco.
Magalhães surge ao longe, entre nuvens côr de rosa.
A sr.ª Dona Maria do Hospital pisca graciosamente o magano olho esquerdo...