Gentis senhoras da Coroada!
Por piedade! Acabae com este tributo mais violento e mais horrivel do que o tributo de sete mancebos e sete donzellas que, outr’ora, Athenas pagava a Creta.
Por piedade, senhoras!
Arrebataes, annualmente, lá para cima, a melhoria dos mancebos, a nata da mocidade, a fina essencia da juventude, que depois abandonaes a essas ruas—obesos, gordurosos, crivados de callos, paterfamilias de cache-nez, lenço tabaqueiro e barretinho d’algodão.
D’aqui a pouco não ha um rapaz solteiro em Valença; e como as estatisticas demonstram que, para cada mancebo casadoiro ha, entre nós, vinte damas em disponibilidade, attentae que não é risonho o vosso futuro, porque está provado á evidencia, que os rapazes de fóra sabem escapar á magia dos vossos palmitos.
Vêde o Velloso, o Leopoldo, o Gomes da Artilheria, o Prado, o dr. Brandão.
Transijamos, pois, gentis damas:
Nós estamos promptos a enviar annualmente para a Coroada, quarenta arrobas de amendoas e quarenta dictas de rebuçados dos melhores e dos mais ricos que tenham o Có-Có, e o Telmo Parada.
Outrosim nos compromettemos ao pagamento d’um tributo annual de tres mancebos casadoiros, que vos serão entregues no domingo de Ramos, ao meio dia, em frente das Alminhas, com os respectivos bahus de roupa branca: camisas, ceroilas, piugas, barretinhos de dormir, pannos da barba.