XXIV
Ultimas palavras

Na vida social, uma povoação possue a complexidade do organismo d’um individuo. Pode estudar-se physiologicamente e psychologicamente.

Tem sentimentos, expansões, dôres, coleras, alegrias; tem orgãos, musculos, enfermidades e lesões; periodos de vigor, de engrandecimento e de decadencia.

Athenas foi a alma da civilização hellenica; Sparta teve a musculatura dos fortes na hegemonia das cidades gregas; Roma cingiu o mundo com os seus braços de ferro; na gloria dos seus triumphos e das suas conquistas teve a vertigem da sensualidade e do prazer; libertinou-se, effeminou-se e apodreceu na enxurrada das sargetas.

Paris ri; e Londres, embrutecida com o gin, com as fresh-girls e com os deboches de Cleveland-Street, offerece o nojento bandulho ao facalhão de Jack, ou escouceia no match-box do Pelican Club, em que dois homens se esborracham a sôco, com grande gaudio d’isso que é a quinta essencia da pelintrice, do egoismo, da ambição, do orgulho, da pataqueirice réles da viella e que nas altas espheras do High-life, em Leicester Square, no Regent’s Park ou no Covent Garden se intitula pomposamente—um lord!


Appliquemos aqui, aquella conhecida theoria de Broca sobre a relação entre o volume cerebral e a intelligencia.

O volume do cerebro pode, segundo o eminente sabio, indicar maior ou menor desenvolvimento intellectual.