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Justininho tinha muitos diplomas de Socio Honorario e de dito benemerito; tinha pennas d’oiro e de prata, etc. Era um perfeito rapaz de sala; recitava poesias; tinha album para ellas; conhecia uma infinidade de marcas no jogo do Senhor Abbade; e, para os rapazes, tinha uma grande habilidade: assobiava magistralmente.

Atacando um spartito de Mozart, de Verdi, de Gounod, ou a cadencia das valsas de Strauss, de Metra, ou de Waldteufel, aquelle assobio tinha a malleabilidade d’um rouxinol, a limpidez das notas da Patti, o crystallino da escala de Gayarre, ou do Masini. Quando, em noites de luar, Justininho passava na rua de S. João, todas as janellas se abriam para dar passagem, até aos leitos conjugaes, ás ondas sonoras, deslocadas pelo assobio.

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Ora, como V. Ex.ª deve ter verificado, não lhe faltavam condições para inspirar sympathia e, certamente, vae ficar admirado, quando lhe disser, que havia quem embirrasse com elle!

Era o sr. Coronel Almeida. Chamou-lhe, por ironia, importante cá da terra.

Ignoro as razões, que originaram a antipathia de sua Ex.ª

Tambem por cá havia muita gente, que embirrava com o sr. Coronel. O Isidoro diz que elle era um homem muito fino; mas o Agostinho torce o nariz e Agostinho é homem, que se não engana, que é consultado pelas pessoas mais importantes da nossa terra, homem que sabe o que diz, e que não dá ponto sem nó.

Seria bom, ou mau, como quizerem. O que eu digo, é que era muito feio; mais feio ainda, do que o sr. dr. Salgado!