In hoc signo vincis.
Ainda ha mais exemplos, mas eu sou muito fraco em mnemonica.
Ora, sendo as realezas da terra representantes da realeza dos céos, e sendo Vossa Excellencia representante da nossa realeza, como muito e muito bem disse e declarou, ao annunciar o seu osculo nos chagados pés do Senhor dos Passos, ergo, por irrefutavel syllogismo, Vossa Excellencia é tambem representante n’esta terra, de Nosso Senhor Jesus Christo! Isto não falha.
Por conseguinte, Vossa Excellencia póde e deve perdoar, aos que não sabem o que dizem.
Eu não lhe aconselho isto com interesse directo, meu Senhor. Vossa Excellencia nada tem que me perdoar.
Eu adoro tanto as instituições da minha Patria, reputo tão necessarias e consentaneas, com as aspirações da epocha hodierna, as disposições dos regulamentos do sr. Conde de Lippe (que o diabo levou ha perto de 200 annos e podia, mesmo, ter levado logo ao nascer) das quaes, a mais branda e attenciosa é mandar varar por uma bala[17] o desgraçado, que tenha o atrevimento de—utilizando-se da unica applicação d’essas muralhas e torturado com as ancias e arrancos de urgentissima necessidade corporea, sem poder esperar um unico segundo,—baixar as calças, (permitta-me Vossa Excellencia a liberdade que vae expressa, ainda assim, em portuguez de lei, do que usava o Padre Antonio Vieira) que, se tivesse alguma importancia politica, se fosse homem de prestigio e d’estes que valem uma eleição, como os srs. Joaquim, Cardoso e seu amigo P. Cunha, Alvares d’Oliveira, Santa Clara e Agostinho que, unidos todos no mesmo partido, belliscados para a victoria do mesmo candidato, são capazes de levar á urna, não digo 6, mas, talvez, para cima de 3 votos, se fosse homem d’essas craveiras, repito, era capaz de ir a Lisboa, apresentar-me ao sr. Zé Luciano, ao Senhor Rei, se tanto fosse necessario, e reclamar energicamente, como indispensavel ao brilho das nossas instituições, ao prestigio do nosso exercito, á manutenção da nossa dignidade nacional, mais um segundo Governador, com um segundo... (não me lembro do nome... ah!) Estado Maior.
Sómente estabeleceria uma condição:—baseada no muito apreço, em que tenho os grandes homens da minha Patria; convencido da necessidade de haver aqui, na fronteira, nas barbas do hespanhol, quem dignamente possa representar o paiz—e seria: que, para fazer pár com Vossa Excellencia, não me dariam outro bis-Governador, que não fosse o grande, o saudoso, o inimitavel
Zé da Rosa!!
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E se tal conseguisse, ai que alegria a minha, quando encontrasse Vossa Excellencia na rua de S. João, com a gravidade propria a um representante de Sua Magestade El-Rei, de braço dado ao sr. Zé da Rosa, outro representante de Sua Magestade (a Rainha, não meu Senhor?), seguidos por Sua Excellencia o Senhor Vice, com o seu chapéo de pennas de capão, e com a espada politica de Brenno, ao lado do outro Senhor Vice (quem devia ser? O sr. Roldão, por exemplo. É da arma de cavallaria...) e depois, atraz, o Senhor Baptista da Senhora do Faro com os outros Estados-Maiores; e depois ainda, atraz, muita gente, a sociedade do Provarei, o Fileiras, o João de Ganfey, o Senhor Martinho, que deitava la coca, o Capellão (o n.º 2), todos os paradas-velhas, etc., etc.