Respeitaveis collegas e senhores.

Illustrado auditorio!

Eminentes publicistas e philosophos, consultando os trabalhos recentemente publicados nas nações mais civilizadas, teem evidentemente demonstrado a enorme differença e aterradora diminuição que, de anno para anno, se nota nas estatisticas da reproducção humana.

Os excessos perniciosos da Civilização, com o cortejo de gosos corporeos e sensuaes de toda a especie, enfraquecem a raça, definham o individuo, tornando-o inapto para aquella funcção, aliás importantissima para a estabilidade das nações e para o desenvolvimento da riqueza publica.

Com effeito, senhores; que seriam os preciosos filões d’oiro da California, os jazigos, não menos preciosos, da hulha; que seriam esses uberrimos territorios da America, se não fosse o homem, para com o seu braço e a sua intelligencia arrancar da Terra tanta riqueza e tanta maravilha?

O que seria da Agricultura? O que seria do Commercio e da Industria?

Senhores!—Abrem-se, presentemente, á actividade do homem, novos campos, novos e dilatados horisontes n’essas, até hoje, mysteriosas e legendarias regiões africanas. O Brazil, a Europa do futuro, extende a sua acção civilizadora por essas enormes provincias, até hoje, despovoadas e desertas.

Braços, muitos braços: homens, muitos homens—eis o desideratum para este importantissimo problema do futuro.

Verdadeiramente benemerito, pois, se torna da Patria, da Civilização e da Humanidade todo aquelle que, directa ou indirectamente, contribuir para valer áquella necessidade, aggravada, ainda, com o enorme desfalque, que as estatisticas accusam.

Como homens do seculo XIX, que possuem a completa intuição dos seus deveres sociaes, temos, até hoje, prestado bom serviço a tão sagrada causa[20] e aos vossos sentimentos humanitarios e illustração recorro agora, pedindo attenção para as propostas que, sobre tão momentoso assumpto, vou ter a honra de apresentar[21].