É o carnaval do beaterio. N’aquelles ultimos sete dias as beatas dão ar ás mantilhas, e largas á bisbilhotice, á curiosidade e... ao flato.

Quinta e sexta feira santas são em Valença, para a egreja de S. Estevão, o mesmo que domingo gordo e terça feira de entrudo são para a Assemblea.

Ha musica, serviço variado de pastilhas de chocolate, rebuçados e amendoas; confidencias, intrigas, sorrisos, trocas de cartas perfumadas, ciumes, arrufos, apertos de mão e—sobretudo—esta cavaqueira intima, expansiva, franca e alegre d’uma verdadeira reunião de familias.

A gente está alli, perfeitamente bem, e á sua vontade.

Com as temperaturas da egreja e das salas da Assemblea eleva-se, consideravelmente, o mercurio no thermometro dos affectos, em que o zero é—o arrufo, e os 100°—o casamento.

O Christo, já se vê, como dono da casa, lá está no alto da Cruz, recebendo sempre, com reconhecimento cordial, tão fervorosas e animadas manifestações de amor e respeito...

As beatas arranjam, com a Semana Santa, que contar para um mez.

Quando os escorropicha-galhetas abrem, de manhã, as portas do templo, já ellas entram apressadas e remelosas, escolhendo o melhor logar «onde o bruto do povo e os pobres não incommodem, onde se esteja á vontade e se veja tudo». Levam as suas pastilhas de chocolate para a debilidade, a caixa do rapé, o banquinho de tapete, agasalho para os pés e lenço para as lagrimas, que são da praxe, quando o Padre mostra o Santo Sudario.

Installadas assim, com todas as commodidades (tudo pelo amor de Christo, que tanto soffreu na Cruz) no seu ponto de devoção e de observação, gozam á tripa-forra não perdendo um olhar, um sorriso, um vestido novo, uma tournure mais arrebitada...