Á noite vão para casa, consideravelmente alliviadas da consciencia, mas pouco satisfeitas com o Magalhães, que falou em problemas sociaes, em pauperismo, em Philosophia da Historia, em altruismo, em protoplasma e outras coisas, que nem o sr. Joaquim entendeu, apesar de, por vezes, (certamente por delícadeza) abaixar a cabeça, como quem diz: comprehendo, approvo e... estou satisfeito.
O Palmeirão, quando conta imbecilmente pela decima vigesima vez, a tragedia do Calvario—tragedia sublime e benefica para as agruras da nossa existencia, se todos a soubessemos comprehender, mas que por ahi anda como o libretto estafado, nas epochas lyricas da egreja, para especulação, para immoralidades e para descrenças—esse percebe-se e agrada muito mais!
*
O beaterio tem uns Santos da sua particular estima.
Os Santos, a final, são como a gente, com quem se lida. Ha physionomias que logo inspiram sympathia e ha outras que, sem a gente saber como, nem porque, provocam embirração.
Isto é razoavel e intuitivo. Diga-me, por exemplo, V. Ex.ª quem ha-de gostar do S. Christovão, com aquella grande cara arrenegada, parecendo dizer ás gentes que, se lhe chegam a mostarda ao nariz, corre tudo com a vara, pela egreja fóra, como o Pau-real na feira de S. Bento da Porta-aberta!
Assim, quando rareiam as festas e as bolsas andam exhaustas, com as frequentes subscripções da Assemblea, não havendo possibilidade de se organizar a Semana Santa, então, promove o beaterio umas novenas á Senhora de tal.
«São umas festasinhas muito razoaveis, porque a musica é mais alegre, são de dia e sempre ha probabilidades de, terminadas as ladainhas e as encommendações, se dar, ainda, um passeio até ao Jardim. Emfim, n’uma terra, que tem poucas distracções e onde a Rosinha se não póde sustentar, tudo se aproveita.»