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O caso da Santa alarmou vivamente os animos d’estas esgrouviadas bisbilhoteiras.
«Parece impossivel que se não abrisse a Terra, que não viesse um raio, um diabo, que castigasse aquelle pedreiro-livre, aquelle atheu do administrador!»
O malandro que trazia a imagem e a metteu na taberna da Esplanada, expondo-a ás chufas e obscenidades avinhadas dos comparsas, esperando que o contra-regra desse o signal de subir o panno, para essa asquerosa comedia, da nossa asquerosissima Politica,—o malandro que, com um sebento balandrau, de imagem e prato na mão, por ahi chatina semanalmente, a meias, com as crenças do povo, e não hesita em transpôr os humbraes do bordel, pedindo para a bemdita e milagrosa Senhora de tal, interessando assim, a religião de Christo no producto que a barregan obtem da venda, em publico, do corpo e da honra—esse icha-corvos torpe e vil, d’uma ganancia mais vil e mais torpe, do que os trinta dinheiros de Judas, que por ahi esfarrapa as poucas crenças, que ainda existem no povo—esse:
«coitadinho! Mettia dó vêl-o. Estava amarello, aterrado. Foi preciso leval-o, quasi em braços, e dar-lhe café quente, porque lhe podia dar alguma coisa»!
Ah, baratas de sacristia! Como eu desejava possuir o açoite, com que Christo expulsou os phariseus e de que côr eu vos poria as nadegas...
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As procissões...
Eu não conheço coisa mais estupida, barbara e deshumana.
Felizmente, sou, n’esta opinião, apoiado pelo espirito do seculo que, pouco a pouco, vae terminando com ellas.