VIII
Quimtilinarias[26]
Diz algures Macaulay:
«É nas grandes crises politicas, nas grandes agitações populares, que se denunciam os grandes homens e se manifestam os grandes genios.»
Cá temos a confirmação d’esse periodo do eminente historiador inglez.
Ruge, infrene, a colera do povo por causa do mandado: e no meio d’essa espantosa effervescencia da nossa politica, ergue-se aos céos da posteridade, dardejando raios mortiferos de oratoria epistolar, um homem, até hoje ignorado na republica das lettras: Quim Fonseca!
Tenho lido muita epistola e muita carta; li as epistolas de S. Paulo aos corinthios; as de Horacio e Cicero; as de Racine e Pascal; as de M.ᵐᵉ de Sevigné e de Girardin; as do Rosalino e Jayme José; mas, coisa tão puxada de rhetorica, tão desembolada de logica, tão frecheira, de estylo—é que ainda não pude encontrar nas litteraturas passadas e presentes, desde a sanskrita, até á dos papuas, ou á das gentes do Molembo-Kuango!
Sempre desconfiei que, no cerebro d’este Fonseca, vascolejava algo de extraordinario e de superior. Quando, por ahi, aventavam deformidades psychicas, amesquinhantes do intellecto, affirmava eu sempre: