Minha filha mais velha, D. Fagundes, namoriscava o filho do nosso procurador em Monsão. Ha cinco annos entra o mocinho na sala de visitas e, deante da rapariga, balbucia trémulo de commoção:
—Louvado seja Nosso Senhor Jesus Christo!
O Senhor passou bem?
Eu vinha pedir a mão de sua filha D. Fagundes d’Atouguia. Tenho 25 annos; sou camarista na minha terra; as minhas propriedades rendem 40 carros e 60 pipas; tenho doze contos nominaes em inscripções; vinte obrigações das Aguas de Melgaço e de S. Pedro, cinco acções do piano da Assemblea e dez do Theatro Valenciano...
—Perdão, interrompi eu; e emquanto ás ultimas, pagou todas as prestações?
—Não, senhor; assignei, mas só paguei a primeira prestação de 10 p. c.
(O homem convem-me, disse com os meus botões, já vejo que é agostinhado.)
—Serve-me para genro; mas, um esclarecimento apenas, que é o mais importante: o meu amigo usa suspensorios?
—Ora essa! exclama o joven, acaso é isso importante no meu futuro marital? Pois a minha barriga é que tem de crescer...
—Basta, senhor! Visto que ridiculariza uma coisa tão seria,—nada feito! Queira bater a outra porta.