Talhado em rocha escura, formas angulosas e salientes, phantasticas e caprichosas, era o antro infecto, sinistro, a que a megera o pomposo nome—salão—ufana dera.

No topo havia um throno infame, original, feito de coisas varias que cheiravam mal. N'elle, repimpada, dirigia os trabalhos velha deshonesta, c'roada a resteas d'alhos: na dextra aureo sceptro—colossal estadulho; e, para dominar a borrasca do barulho, empunha, na esquerda, safardana chocalho, chavelho retorcido, armado co'um bogalho servindo de badalo—estranha campainha!

Aos pés os classicos por almofada tinha.

As outras musas estavam acocoradas sobre grossos montões de pardas papelladas. Eram como gallinhas: estavam no chôco chocando muito poema, tal como este,—ôco.

Em mochos de pinho vil, os modernos bardos
sobraçando mais pennas que no campo ha cardos,
com carga de papel manteigueiro, barato,
como o grosseiro alarve d'um burguez pacato.

Ao centro do salão, crepitante fogueira da mais genuina essencia da mais pura asneira, aquece com chammas febris, avermelhadas, o enorme caldeirão das grandes versalhadas.

Os olhos em mim postos, o auditorio tinha; e quando esp'rava a eterna e velha ladainha do—quid petis—chronico, do gráu Coimbrão, e me preparava p'ra pedir ser poetão: larga dama presidenta um—«como pachaste?»

Acaso viste já, do rojão a haste
ao toiro apontada?
a ferrea ponta penetrar-lhe o coiro,
e c'o a cruel picada
saltar feroz com fero olhar de moiro?

O—como pachaste—foi o rojão;
o mal ferido toiro o meu coração.

A MUSA