A PRESIDENTA

—«Decimas, amigo, não se usam cá na tenda; isso serve só p'ra escrivães de fazenda. E, demais, vossê prometteu uma aguarella, quer possa, quer não, ha de aguentar-se com ella.»

O POETA

—«Tal é a dôr que este meu peito opprime, vendo os classicos tão abandonados, que não encontro rima com que rime, nem attento, por mal dos meus peccados, em descrever o estado lastimoso em que os conservam cá pelo Parnaso.

É preciso ser de peito animoso para affrontar tão inaudito caso, sem á dôr e á vergonha succumbir, ao vêr a Patria Lingua derruir.»

—«Fóra! Fóra!»—berrou em tremebunda grita, dos poetas e musas a troupe maldita.

Esperando, pela turba, em borra ser desfeito, co'os olhos no ceu, cruzo os braços sobre o peito. …………………………………………..

—«Bravo! Bravo!» me applaudem todos presto.

—«Salvaste-te sómente pelo gesto.
Serve-te d'elle; não é má pimenta.»

Accrescentando logo a presidenta: