—«Em honra ao teu gesto fradesco e manual, vaes ter espectac'lo com todo o ritual. Aprestae, minha côrte, as armas, a metralha que impavido, o realismo, emprega na batalha.»
* * * * *
Circulam os poetas e giram as musas (umas fufias velhas, caras de semi-fusas), mechendo em armarios e cortando papel, e borrando pinturas co'um grosso pincel, d'uns que são usados em lavar certos vasos que pomos em serviço em reservados casos. Andam sempre em vertiginoso rodopio atarefados todos, té que um assobio de machina a vapor sibila pelo espaço.
Entra um prélo gigantesco, luzidio, d'aço, puchado p'lo Pegaso e movido a vapor.
—«A postos, meus senhores, se fazem favor.»
IV
Apollo, que até então tinha estado occulto, da sombra destacando o luminoso vulto, desatrella o Pegaso do prélo bemdito e o manda pastar em pello a aveia do infinito.
Depois, berrando como qualquer sacristão
que na egreja ronca safado cantochão,
com voz desafinada entoa esta cantiga,
batendo, á cautella, o compasso na barriga:
—«Companheiras senís, acanalhadas,
que, quando era potente, tanto amei:
o grande caldeirão das versalhadas
descei! descei!»
Ligeiras, como a rapida gazella,
atiraram-se ao cabo da panella;
e o caldeirão desceram, pressurosas,
tomando, pelo esforço, a côr das rosas.