Depois tomaram posições sensuaes
dos quadros vivos reles e triviaes.

E os poetas, então, prostrados pela terra,
entoaram este côro, na mais alta berra.

ORAÇÃO DOS POETAS

—«Ó vestaes da inspiração,
velhas donzellas:
assumptos de sensação
idéas bellas,
fazei-nos inventar
em nossos cacos;
e fazei-nos ganhar
bem bons patacos.

Multiplicae os tolos
p'ra nosso bem,
que vos daremos bolos.
Amen, amen, amen.»—

E, levantando os seus coiros do chão,
sacudiram o pó co'um escovão.

A um signal d'Apollo, dado com pratos,
fizeram as rev'rencias dos gaiatos.

Longa penna tirando da sacola, papel na mão, como rapaz d'escola, e p'ra a lição estando muito attentos, tomavam com cautella apontamentos.

APOLLO (cantando)

—«A sciencia genial das bagatellas,
que tendes como a compota nas tijelas,
lançae no caldeirão.
Adjectivos hydropicos, lancinantes,
figuras colossaes; como os elephantes
em grossa multidão,
com quanta massa realista de balelas
tendes em vossa mão:
lançae no caldeirão
co'a sciencia genial das bagatellas.»