Em breve se veiu a saber que o principe vinha de S. Petersburgo e já havia passado por Dukhanovo. Não encontrando ali ninguem, viera seguindo as piugadas do principe até Mordassov, onde o surprehendera a fatal noticia. Tomou desde logo a tudo sobre si, e Mozgliakov retirou-se muito encolhido em presença do lidimo sobrinho.
O illustre defunto foi trasladado para o mosteiro. Ao outro dia, a cidade em peso congregou-se a ouvir a missa funeraria. Entre as senhoras, corria que Maria Alexandrovna compareceria em pessoa na egreja, para pedir perdão alto e bom som perante o caixão, em conformidade com as exigencias da lei. Escusado será dizer que tal Maria Alexandrovna não appareceu.
Fôra para o campo e levára a Zina, parecendo-lhe insustentavel a situação na cidade. Lá da sua aldeia, ia recolhendo com inquietação as atoardas e mandava tomar informações.{190}
Do mosteiro a Dukhanovo, o caminho passava a uma versta das janellas de Maria Alexandrovna. Teve pois occasião de ver desfilar o prestito funebre. Atrás do féretro seguia uma longa cauda de trens. E por largo espaço, n'aquelle campo branco de neve, foi perfilando aquelle seu vulto negro, lento e majestoso, o carro melancólico.
D'ali a oito dias, Maria Alexandrovna, com a filha e Aphanassi Matveich, transferiu-se para Moscou. A aldeia e a casa foram postas em leilão.
E assim perdeu para sempre Mordassov uma senhora, o mais comme il faut possivel!
O caso não escapou a commentarios; nem faltou quem affirmasse que o Aphanassi Matveich se achava tambem á venda juntamente com a aldeia...
Rodou um anno, outro ainda, e ninguem tornou a falar em Maria Alexandrovna.
E comtudo, correu que havia adquirido outra aldeia em outro governo, e que outra capital de districto não tardaria em tremer entre as suas potentissimas mãos. A Zina estaria ainda á espera de noivo.
O Aphanassi Matveich...