A animação de Mozgliakov transforma-se em enthusiasmo. A Madame Ziablova, com o seu tino todo, está-lhe a crescer até agua na bôcca.

—Eu bem sei; nem é preciso que m'o lembre, que estou para aqui uma trapalhona... Pareço até uma cozinheira, pois não pareço?

Maria Alexandrovna está com um cara de palmo. Afoito-me a affirmar que ouviu a proposta de Pavel Alexandrovitch com uma pontinha de terror. Quer sim quer não, teve mão em si.

—Tudo isso é muito bonito, mas é um chorrilho de futilidades sem pés nem cabeça, e que não vem nada a proposito! disse, com sequidão, dirigindo-se ao Mozgliakov.

—Então por quê, minha querida Maria Alexandrovna? Por que é que diz que são futilidades fóra de proposito?

—O senhor está em minha casa, e o principe é meu hospede. Não consinto que ninguem se esqueça do respeito que se deve á minha casa! Tomo as suas palavras como mera brincadeira, Pavel Alexandrovitch; mas, ahi vem o principe, graças a Deus!

—Eu... c... cá... es... tou, guincha o principe ao entrar.{44} É espantoso, querida amiga,... que fecundidade com que acordou hoje este m... meu espirito! Ás vezes—talvez não acredites—mas acontece-me estar um dia inteiro sem me accudir um pensamento a esta cabeça...

—Seria a tal queda d'inda agora que lhe abalou os nervos...

—Tambem me quer parecer, meu amigo, ach... acho util, até, o tal accidente, tanto assim que estou resolvido a perdoar ao meu Pheophilo. Queres que te diga?—Palpita-me que não premeditará attentar contra os meus dias. E demais... já está bem castigado, cortaram-lhe as barbas.

—Cortaram-lhe as barbas!—Que me diz? Elle, que tinha umas barbas mais compridas que um principado allemão.