Cala-se Maria Alexandrovna. Segue-se prolongado silencio. A Zina acha-se no auge da afflicção.
Não nos abalançaremos a descrever os seus sentimentos: não os conhecemos. Mas, a julgar pelas apparencias, Maria Alexandrovna encontrou o verdadeiro caminho para o coração da filha. Não ha duvida de que a excellente mãe andou um tanto ás apalpadélas, até que por fim conseguiu pôr o dedo na ferida, principiou por maguar sem precaução os pontos mais sensiveis das feridas ainda abertas, a despeito de um desenvolvimento por ahi além de sentimentos.{64}
Agora, comtudo, logrou introduzir na mente da Zina o pensamento que a si lhe convinha: produzindo-se o effeito, alcançou-se o fim desejado. A Zina escuta com soffreguidão, com as faces afogueadas, o seio a arfar.
—Ora escute, mamã,... diz por fim, resoluta, comquanto a subita pallidez manifeste claramente quanto lhe custa semelhante resolução.
—Escute, mamã...
N'este ensejo, comtudo, resôa no vestibulo um ruido: uma voz aguda a chamar por Maria Alexandrovna.
Maria Alexandrovna levanta-se com vivacidade.
—Ah! meu Deus! demonios levem aquella pêga! É a coronela! E eu que quasi que a despedi, ha quinze dias! accrescenta, desesperada...
Mas é impossivel recebêl-a agora! De todo impossivel! E comtudo isso... quem me diz que me não virá trazer noticias... aliás, nunca se atreveria. É caso sério, Zina, é-me indispensavel sabêl-o, nada se póde desprezar...
—Como lhe fico grata por esta sua visita... quanto estimo!... exclama correndo ao encontro da coronela. A que feliz acaso serei eu devedora de se ter lembrado de mim, minha preciosa Sofia Petrovna? Encantadora surpreza!