—Comtudo...

—Se não quer, resigne-se a ficar a chuchar no dedo! E a mim que me importa? Eu com dó do senhor, e o senhor{87} com ceremonias! Será para mim que eu ando a trabalhar? Eu, por mim, já nem cá fico esta noite.

Pavel Alexandrovitch, muito contra sua vontade, encosta o ouvido á fisga da porta. Referve-lhe o sangue nas arterias. Não percebe uma palavra de quanto em volta de si se está dando.{88}

VIII

—Com que, então, divertiu-se muito, principe, em casa da Natalia Dmitrievna? indaga Maria Alexandrovna, deitando olhar soffrego para a futura prêsa.

(Enceta de proposito as hostilidades do modo mais innocente. De commovida, tem o coração aos pulos.)

Depois de jantar, transferiram o principe para a sala onde este havia entrado pela manhã. O ginjinha, com lastro de seis copos de champanhe, já não conserva equilibrio. Em compensação, não cessa de badalar. Maria Alexandrovna percebe que é apenas uma excitação de momento e que o hospede, d'alli a nada, ferra comsigo a dormir. Cumpre pois aproveitar a occasião. Nota com jubilo que o voluptuario ginjinha dispara á Zina uns olhares de gula. Rejubilam os seus maternaes sentimentos.

—Ex-trê-ê-ma-mente! e, não sabe? é uma mulher incom-pa-ra-á-vel... aquella Natalia Dmitrievna, uma incompa-ra-vel mulher!

A despeito dos muitos cuidados, aquelles louvores tributados á rival fazem sangrar o ciume a Maria Alexandrovna.

—Ora vamos, principe! exclama com os olhos a ferir lume, se essa sua Natalia Dmitrievna é uma mulher incomparavel, tapa-me a boca, mas é preciso que o principe conheça muito mal esta nossa sociedade! Não passa tudo de um alarde descarado de sentimentos ausentes, comédia, verniz, oiro ao de cima.{89}