Erga uma pontinha ás apparencias, e encontrará um verdadeiro inferno escondido por baixo das flores, uma ninhada de viboras promptas a tragál-o.

—De-vé-ras! Estou pa-a-asmado!

—Sou eu que lh'o digo! Ah! meu principe! Ora escute, é a Zina! Assiste-me o dever—e a tanto me vejo obrigada—de contar ao principe uma aventura ridicula que se deu a semana passada, com aquella Natalia Dmitrievna—lembras-te?—Sim, principe, com aquella Natalia a quem tanto admira.

Ah! meu caro principe, affirmo-lhe que não sou mexeriqueira, mas devo contar-lhe isto unicamente para lhe dar uma amostra viva e irrisoria da nossa sociedade.

Haverá quinze dias veiu visitar-me essa tal Natalia Dmitrievna. Estavam servindo o café, e eu tinha que sair. Lembro-me muito exactamente das pedras de açucar que ficaram no meu açucareiro de prata: estava cheio. Volto, e que hei de eu ver? Restavam apenas tres pedrinhas. Ora, a Natalia Dmitrievna tinha ficado sósinha! Que me diz a isto?

Tem casa, dinheiro, tudo que lhe apetece... É comico e pequenino, pois não acha?—E por aqui já pode avaliar o que é esta nossa sociedade em Mordassov.

—De-ve-ras?—É uma gulodice... sobre-natural! Mas como é que ella pôde engulir um açucareiro?

—E ahi tem a sua mulher incomparavel, principe; se já se viu uma vergonha assim? Eu por mim estou que antes queria morrer, do que resolver-me a praticar um acto tão nojento!

—Está c... claro!... está... claro!—Mas ainda assim—sempre lhe digo, que é uma linda mulher!{90}

—Quem? A Natalia Dmitrievna! Ora vamos, principe, ella o que é é uma pipa. Ah! principe, principe, que está dizendo? Sempre fiz outra opinião do seu bom gosto!