—Está—c... claro—uma pipa!—Mas ainda assim—sempre lhe digo que é bem feita; e depois, aquella pequer... rucha que dansava... essa tambem é... bem feita.
—A Sónitchka? Ora! Uma pequena! Tem apenas quatorze annos.
—Está... claro!—mas ainda assim,... é tão leve... e com umas formas..., tão... geitozinhas!... E a outra que dan... sou com ella?
—Ah! aquella serigaita d'aquella orphã, principe?
—Está claro—orphã! É porquinha,—devia ao menos ter lavado as mãos,—mas é sedu-u-ú-ctora.
E o principe, emquanto vae falando, não despega, com crescente avidez, o monóculo do semblante da Zina.
—Mas... que... linda... me... nina! tartamudéa... meio estarrecido...
—Zina, vê se tocas alguma coisa, ou antes... canta. Canta que é uma delicia, principe; chega a ser uma virtuose, ouso affirmál-o, uma verdadeira virtuose. E se soubesse, principe, prosegue a meia voz Maria Alexandrovna emquanto Zina se approxima do piano, com aquelle seu andar, lento e cadenciado, que põe num sobresalto o jarreta, e se soubesse a que ponto é amoravel, como é carinhosa para commigo! Que coração! Que sentimentos!
—Está claro! Sentimentos! E se quer que lhe diga... ainda não conheci senão uma mulher que se lhe possa comparar como formosura, responde o principe a engulir a saliva, é a condessa Naniskara; que Deus tem. Já lá vae{91} ha trinta annos. Que mulher! Que maravilhosa formosura! Casou com o cozinheiro.
—Com o cozinheiro, principe!?