Levanta-se com vivacidade e puxa pelos cabellos ás mancheias.

—E como homem inconsiderado, accrescenta Maria Alexandrovna, inconsiderado, eis o que o senhor é!

—Sou um asno, Maria Alexandrovna! exclamou com desespero o môço. E agora, está tudo perdido! E eu que a amava com loucura!

—É possivel que não esteja tudo perdido, declara Madame Moskalieva, baixinho, como quem está reflectindo.

—Ah! se fosse possivel! Ajude-me! aconselhe-me! Valha-me! E pôs-se a chorar o Mozgliakov.

—Meu amigo, diz em apiedada voz Maria Alexandrovna e estende-lhe a mão,—praticou esse seu acto no ardor do{114} seu affecto, estava exasperado, nem sequer tinha consciencia do que fazia. E ella não deixará de o avaliar.

—Amo-a com loucura e estou prompto a sacrificar-lhe seja o que for! clama o Mozgliakov.

—Ora escute, justifica-lo-hei aos olhos d'ella.

—Maria Alexandrovna!

—Sim, fica tudo por minha conta: collocál-os-hei em presença um do outro. E o senhor diz-lhe tudo tal qual eu acabo de lh'o dizer.