Maria Alexandrovna segue-a com a vista e fica a scismar.
"É andar ligeira, depressa! É de si que depende tudo,{116} e em si que consiste o maior perigo, e se esses miseraveis porfiarem em se colligar contra nós, se principiam para ahi a dar á lingua, tudo está perdido! E ella não poderá resistir contra tantas arrelias e acabará por entregar-se mediante uma rejeição. Custe o que custar e sem demora, urge carregar para o campo com o principe. Prego commigo lá, n'um pulo, e carrégo com aquelle estafermo do senhor meu esposo para aqui. Sequer ao menos sirva para alguma coisa! E assim que o outro accordar, safamo-nos."
Toca a campainha.
—E então! a parêlha? pergunta ao creado que entra.
—Está prompta, ha que tempos, responde o criado.
(Maria Alexandrovna mandou pôr o trem no acto de acompanhar o principe ao quarto d'este.)
Veste-se á pressa e corre ao quarto da Zina para lhe transmitir o seu plano e dar-lhe as devidas instrucções. A Zina, comtudo, nem lhe quer dar ouvidos, debruçada no leito com o rosto enterrado no travesseiro ensopado de lagrimas; a arrancar com as niveas mãos os compridos cabellos; tem os braços nus até ao cotovêlo. Saccóde-a, a revézes, um estremeção. A mãe dirige-lhe a palavra, sem que a Zina consinta em erguer a cabeça.
Maria Alexandrovna insiste por instantes, depois, sae, inquietissima. Sobe para a carruagem e recommenda que espertem a parelha.
"O peor de tudo", vae ruminando comsigo, "é a Zina ter ouvido a conversa que eu tive com o Mozgliakov. Empreguei com ella e com elle quasi que os mesmos argumentos; ella é orgulhosa e offender-se-hia, talvez... Hum! o que a tudo sobreleva, é a necessidade de por mãos á obra,{117} antes de que conste seja o que fôr! Que desgraça! E se eu, para mais ajuda, não fosse encontrar em casa aquelle meu imbecil?!"
Ante esta hypothese, enraivece-se, toma-se de um rancor que nada vaticina de bom para Aphanassi Matveich. E Maria Alexandrovna impaciente, a esfervilhar!