—E agora, em pé!... Vê se o levantas, Grichka, dá cá a pomada...
—Vá, abaixas-te ou não, miseravel!
Abaixa-te, já te disse, meu papa jantares.
Maria Alexandrovna com as proprias mãos besunta a grenha ao marido, puxando sem dó nem consciencia pelos cabellos, bastos e grisalhos que elle, por sua desgraça, não deixou cortar. Aphanassi Matveich põe-se a gemer, a suspirar e aguenta, Deus sabe como, semelhante provação.
—Miseravel! Foste tu que murchaste as flores da minha mocidade!... Abaixa mais essa cabeça, não ouves! Abaixa-te!
—Mas como é que eu murchei as tuas flores, minha mãezinha? regouga o esposo de bruços no divan.
—Manequim! Nem sequer percebeste a allegoria! Agora vê se te penteias.
—Grichka, veste-o depressa, anda!
A nossa heroina senta-se n'uma poltrona a vigiar com olhos de inquisidor a ceremonia indumentaria.
Aphanassi Matveich lá conseguiu tomar folego, e, quando se chegou ao laço da gravata, afoita-se a ponto de emittir opiniões ácêrca do feitio e da perfeição da laçada. Em conclusão, assim que envergou a casaca, a distincta personagem{124} tem reconquistado de todo o aprumo e pega a rever-se ao espelho com manifesto desvanecimento.