—Mas quem nos affirma que o não tivesse já contado a alguem, insinua n'este ensejo a Natalia Dmitrievna.
—Está... claro... a alguem, confirma o principe.
—Que comedia! murmura a Felissata Mikhailovna á vizinha.
—Ah! meu Deus! excede a humana paciencia! vocifera Maria Alexandrovna, a estorcer as mãos, no auge do exaspero. Se ella até lhe estava a cantar uma romança; uma romança! Tambem a veria no tal sonho?
—Está... claro... effectivamente, uma romança, murmura, absorto, o principe.
De repente, vem ressuscitá-lo uma reminiscencia.
—Meu amigo, exclama dirigindo-se a Mozgliakov, tinha-me esquecido dizer-te, indagora, que ella me tinha cantado uma romança... em que havia uns cas... tellos... muitos... com um tro... vador... Está... claro... recordo-me... e por signal... que até chorei... e agora nem sei já, se seria realidade ou se foi sonho.
—Tiozinho, responde o Mozgliakov com a maxima{167} tranquilidade que pôde assumir (com quanto lhe trema a voz) não me parece lá muito grave a dificuldade. Na realidade, não direi que não tenha ouvido uma romança, canta tão bem a Zinaida Aphanassievna! Acordar-lhe-hia reminiscencia dos seus bons tempos de outrora, dos instantes ditosos, talvez que da tal viscondessa com quem o tio cantava tambem, algum dia, romanças e á qual se referiu esta manhã. E depois, a dormir, sonharia talvez que estava apaixonado e que tinha formulado o seu pedido de casamento.
Maria Alexandrovna fica atordoada com semelhante insolencia.
—Ai! meu amigo! effectivamente! Ha de ser isso! exclama o principe, contentissimo. Sim, sim, a dor... dormir!... umas agrad... aveis sensações... Lembro-me da romança, e eu a querer casar... Um sonho! E tambem ali estava a viscondessa... Ah! como tu desen... vencilhaste bem tu... do isso... meu caro! Muito bem! É eu agora estou convencido:—era um sonho, Maria Vassilievna! Affirmo-lhe que está... equi... vocada: foi sonho!... eu... nunca seria capaz de estar gracejando... com a sua... respeita... bilidade.