—Es... tá... c... claro... estou pronto a confirmar... {165} Tanto mais, que já lhes contei tudo, e Felissata Yako... kolevna adivinhou ca... balmente o meu sonho.
—Sonho! Qual sonho!? exclama rabiosa Maria Alexandrovna; não foi sonho. Foi realidade, principe, intendeu? Realidade e mais que realidade!
—Rea... li... dade... repete o principe erguendo-se da cadeira... Está-se dando... tudo aquillo de que... tu me preveniste, accrescenta dirigindo-se a Mozgliakov. Afirmo-lhe, Maria Alexandrovna... que ha equi... voco da sua parte. Tenho toda a certeza em como foi sonho!
—Meu Deus! geme Maria Alexandrovna.
—Não se afflija, Maria Alexandrovna, intervem a Natalia Dmitrievna; ao principe, varreu-se-lhe da memoria... elle se lembrará.
—Isso nem parece seu, Natalia Dmitrievna! responde furibunda Maria Alexandrovna. Isso são lá coisas que se esqueçam? Ora vamos, principe, deixemo-nos de facecias! Dar-se-ha o caso de que esteja armando em Lovelace? Mas, tenha a certeza, sem falarmos em que é pouco proprio da sua edade, juro-lhe, que lhe não ha de valer! Minha filha não é para ahi qualquer viscondessa francêsa! Não ha ainda muito tempo, lhe estava ella a cantar uma romança e o senhor de joelhos a seus pés, a formular o seu pedido de casamento.—Serei eu que estou a sonhar? Fale, principe... Estarei a dormir, porventura?
—Es... tá c... claro!... e d'ahi, talvez que não, responde o principe, desnorteado de todo... Quero dizer... não creio... que estou a sonhar... pre... sente... mente. Mas... não vê a senhora... que eu, indagora, estava a sonhar... e depois vi... em sonhos, que eu, a sonhar... {166}
—É preciso paciencia, meu Deus!... Que quer dizer com isso? Em sonhos, que eu, a sonhar! Nem o proprio demonio era capaz de o perceber!... O principe estará a delirar?
—Está c... claro!... Nem o proprio demonio... E d'ahi... eu é que não percebo uma pa... palavra, declara o principe a olhar para todos os lados, inquieto.
—Mas como é que o principe póde ainda acreditar que é sonho, depois de eu lhe ter contado os pormenores d'esse tal supposto sonho do qual o senhor não tinha dado parte a ninguem?